
Evento promovido pela Afasc reuniu idosos dos Grupos 60+ e do CCTI em oito dias de integração, alegria e valorização
Desfilar no tapete vermelho como rainha: essa foi a experiência inédita vivida por Aurelina Alves de Souza, de 68 anos, durante o Baile da Realeza, evento promovido pela Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) que homenageia a terceira-idade de Criciúma. Tão animada com o convite para representar o Grupo 60+ da Mina do Mato, ela decidiu confeccionar o próprio vestido, mesmo sem ser costureira.
“Eu adorei tanto a ideia que quis confeccionar o meu vestido. É uma experiência nova, nunca tinha desfilado no tapete vermelho. Todo esse carinho me fez sentir como uma verdadeira rainha, mesmo tendo ficado um pouco tensa, porque, na idade da gente, essa também é a primeira vez. Mas nós somos tão bem recebidos que disfarça o nervosismo”, contou Aurelina com um sorriso no rosto.
Assim como ela, Benedito de Carvalho Leite, de 75 anos, também viveu uma experiência diferente aos assumir o título de rei do Grupo Girassol. “A gente fica muito visado, parece um casamento, como o noivo e a noiva. Gostei muito de ver o pessoal animado, comemorando junto”, destacou.
Nesta edição, 86 idosos foram coroados ao longo dos oito dias de programação. Foram 56 rainhas e oito reis dos Grupos 60+, além de 12 rainhas e dez reis do CCTI. Os representantes foram escolhidos pelos próprios grupos, fortalecendo os laços de amizade e o sentimento de pertencimento entre os participantes, processo que torna a homenagem ainda mais significativa para quem constrói sua trajetória nesses espaços de convivência.
Valorização da terceira-idade
Por trás dos vestidos, dos trajes de gala, dos penteados e da maquiagem, o Baile da Realeza também representa uma oportunidade de fortalecer a autoestima e proporcionar novas experiências à população idosa. Para a presidenta de honra da Afasc, Gisele Bolan, cada coroa carrega um significado que vai além da celebração.
“O Baile da Realeza tem uma magia muito especial. Ver nossos participantes se preparando, escolhendo suas roupas e vivendo esse momento com tanta alegria é muito especial. Essas coroas representam muito mais do que um baile, simbolizam histórias de vida, experiências. São pessoas que merecem ser celebradas, respeitadas e valorizadas sempre”, evidenciou.
A proposta também reflete uma mudança na maneira de pensar as políticas públicas para a população idosa, com mais oportunidades de participação, autonomia e bem-estar. “Antigamente, muitas vezes, eram os idosos que precisavam se adaptar às políticas públicas. Hoje, queremos uma cidade que se adapte às necessidades deles. Antes, os encontros eram para conversar sobre remédios para dor; hoje, são para combinar onde vão se arrumar para o baile, fazer aulas juntos e compartilhar experiências. Isso mostra a importância de promover uma terceira idade ativa, com autonomia e alegria”, afirmou o prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola.
O Baile da Realeza integra as ações desenvolvidas pela Afasc para incentivar o envelhecimento ativo, por meio de atividades que promovem a convivência, o lazer e a participação social. Ao longo da programação, os participantes tiveram a oportunidade de compartilhar momentos especiais e assumir o protagonismo de uma celebração que valoriza suas trajetórias e abre espaço para novas memórias.
Texto e fotos: Manuela Linemburger




